 Mesmo que por pouco tempo. Mesmo que só abra idéias sobre o que se passa. Adoro ser enganado no cinema. Diretor ou roteirista bom é alguém que sabe se colocar no lugar do espectador. Se tranportar para o filme pronto e se deixar sentir o frio de observar. Sem saber o que vem, sem saber o que é real ou imaginário. Diretor e roteirista bom é aquele que sabe como, sentindo o frio de espectador ao criar, usa de códigos desta arte máxima que é o cinema para fazer o "frio" ser mais prazeroso. Para criar uma sobremesa antes que acabe o jantar. O Ilusionista é um filme que é um prato cheio da melhor comida que o cinema pode oferecer. É uma entrada, um jantar e sobremesa, com o melhor vinho do porto pra acompanhar. Imperdível para ver com amantes, familiares ou só.
 Trono Manchado de Sangue
Kurosawa. 1957
Partindo da peça Macbeth de Shakespeare, que reconta a sucessão ao trono escocês do inicio do século XI d.C.; Kurosawa e o seu parceiro ator, Toshiro Mifune, nos apresentam o universo do Castelo das Teias de Aranha. E as bruxas que falam de um futuro certo são neste filme, uma única mulher que fia uma linha sem parar até que some na neblina. No filme (Whashizu) e na peça (Macbeth), o bravo soldado interpreta uma previsão como impossível (Ele perderia uma batalha quando a floresta andasse) e julga-se invulnerável. Mas o acaso age sobre as idéias de táticas do inimigo e o que parecia ser uma metáfora do impossível, se torna a certeza de seu declínio.
Há mesmo muitos sinais sobre coisas boas em nossas vidas, mas em geral não somos bons leitores.
Infelizmente. Um jeito bom de seguir é ler os versos da vida, escrever seus próprios versos e deixar
que o livro do acaso se encarregue de ditar a quantidade de capítulos e páginas. Ser bom e leve já ajuda.
 UMA TACADA PRECISA!
Fui pra gostar e não me decepcionei. Quem assistiu aos curtas ?Palíndromo? e ?Janela Aberta?, mesmo que já há alguns anos, não pode ir ao cinema conferir o primeiro longa de Philippe Barcinski livre de expectativas. Sensível, seguro, despretensioso e seus sinônimos, serão adjetivos associados ao filme em todo mundo. Mas o que ?Não por Acaso? é mesmo, é bom. Muito bom. Todo livro que tenho prazer em ler acaba por se comunicar, de alguma maneira, com outros que li e gostei. Comigo, em cinema, a mesma sensação se dá de maneira mais apurada. Tenho umas ?estantes imaginárias? onde arquivo filmes que, não sei bem por quê, habitam o mesmo conjunto. Diferente do que acontece com os livros que habitam a mesma memória do que é bom, para cinema há várias subdivisões de filmes que me emocionam. Entre elas, há uma ?estante? criteriosa, que muito gosto de visitar e rever, onde ?Não Por Acaso? já está morando em mim. Nesta estante existem filmes singelos de muitos grandes cineastas. Todos são histórias comoventes e bem contadas.
O elenco é fascinante. Cássia Kiss (em participação especial), Rita Batata, Branca Messina (prêmio de melhor atriz coadjuvante no recente Cine-PE) e os protagonistas Leonardo Medeiros, Letícia Sabatella e Rodrigo Santoro formam um grupo coeso e maduro. O que demonstra que o trabalho do preparador do elenco (Sérgio Penna) possui a virtude generosa da transparência (no sentido de que este trabalho mesmo estando em ?primeiro plano? permite ver através de si, sem quase se deixar perceber). A fotografia de Pedro Farkas e a direção de arte de Vera Hambúrguer somam-se às opções de bom gosto do filme e apresentam-se como trabalhos impregnados da sutileza que ?Não Por Acaso? transborda de seus fotogramas.
NÃO POR ACASO
Direção: Philippe Barcinski
Para saber mais:
Sobre o filme: http://www.naoporacaso.com.br/
Curtas de Barcinski: http://www.portacurtas.com.br/
 Mutarelli (no auto-retrato aqui em cima) anunciou que não vai mais fazer quadrinhos. Quem leu e viu tudo dele, perde a possibilidade de continuar acompanhando seus desenhos. Mas parece que de uma maneira geral, todos saem ganhando. Quem leu nada ou pouco, tem muito o que catar pela rede mesmo. Em sites de quadrinhos, em livrarias virtuais e até sebos internéticos. Quem leu pouco ou nada, terá ainda a chance de acompanhar o que fará agora Mutarelli. Romance? Roteiros de cinema, Arte gráfica, Comerciais de Tv? Filmes de animação??? O que seja, e tomara que ele persevere por esta seara artística, virá coisa muito boa no que Mutarelli decidir trazer à publico.
Há muito tempo que não escrevo aqui. Há muito tempo que vi "O Cheiro do Ralo".
Muito do filme ficou na memória como percepção de um universo humano rico e muito bem defendido por cada participação de atores e atrizes que se superavam a cada quadro da história.
Selton Mello e Paula Braun, a Garconete, levam facilmente o olhar e a atenção do espectador para onde querem. E aqui é preciso reverenciar Heitor Dhalia (também diretor de "Nina", predecessor em excelência e ambiência).
Lourenço Mutarelli é tão bom como o Segurança, que nos causa surpresa saber que ele é também o homem que imaginou e desenvolveu tantos personagens tão ricos, em vida e história, pelas cenas do filme. E é bom saber quem ele é, pois Mutarelli passa a se esparramar pelas ações do personagem de Selton Mello. É inevitável imaginá-lo como o protagonista da história. E isso, além de ser um bom exercício de imaginação e arte (confesso que meio confuso) refina ainda mais a atuação de Selton Mello.
No que cabe à vida dos personagens encantam, pela simplicidade e profundidade, as presenças de Flavio Bauraqui, Wolney de Assis, Fabiana Guglielmetti, Abrahão Farc, Mário Schoemberger, Alice Braga, o amigo virtual Xico Sá (que considero um talismã para o cinema paulista) e em especial Sílvia Lourenço a viciada que é também a Soninha, uma jovem de 17 anos, em Contra Todos (filme de Roberto Moreira).
Com estes dois trabalhos, Sílvia Lourenço dispara como uma das barbadas em apostas para atrizes no cinema. Sua atuação persuade o público habitual de cinema e provoca uma motivação criadora em espectadores ligados à arte. Sílvia parece ser uma opção segura para o diretor que não teme conduzir o pensar, e não só o fazer, de um ator em cena. Pode ocorrer também, seria natural e compreensível, que um diretor ao cogitar dirigi-la se sinta intimidado ao assistir "O Cheiro de Ralo" e "Contra Todos". Mas o lado bom é que, se um diretor persistir na inteligência de optar por Silvia Lourenço em seu elenco, estará, certamente, nos oferecendo um presente. À todos nós, espectadores e admiradores da arte do cinema e da interpretação.
 Adeus a Inocência.
Em DVD.
Nicolas Cage e Sean penn. Um filme que não conhecia nem de ouvir falar. Ambos jovens, Elizabeth Macgovern linda e uma boa história pré-guerra. Amigos em cena numa direção bacana. Muita coisa em especial, mas cada um deverá ter no filme sua particularidade ressaltada. Em mim, falou mais alto a amizade entre os dois personagens e o envolvimento de sean penn com elizabeth.
Mas o filme não é só isso.
É uma boa história para ser vista e guardada na memória.
Uma amiga diria que ele é tão bom que poderia ser italiano e em preto e branco.
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